COMO FUNCIONA
Sem mistério: o método completo, incluindo o que ele não consegue fazer.
- 01Recolhemos dados
Resultados, golos esperados (xG) e as odds das casas, várias vezes por dia.
- 02Estimamos probabilidades
Um modelo de Poisson transforma o xG de cada equipa na probabilidade de cada resultado.
- 03Comparamos com o mercado
A distância entre a nossa estimativa e a da odd, em pp, face à odd justa.
- 04Calculamos o Shark Score
O Shark Score diz quanto essa diferença merece confiança, de 0 a 100.
- 05Registamos tudo
Cada previsão é gravada antes do jogo e nunca apagada; o CLV mede se o preço nos deu razão.
METODOLOGIA COMPLETA
A odd é uma probabilidade disfarçada
Uma odd decimal de 2.00 significa que a casa lhe paga o dobro se acertar. Invertendo esse número obtém-se a probabilidade que o mercado atribui ao resultado: 1 ÷ 2.00 = 50%. Uma odd de 4.00 corresponde a 25%, uma de 1.50 a 67%.
Toda a análise de valor assenta nisto. Apostar não é escolher quem ganha — é discordar do preço.
As casas embutem uma margem no preço
Some as probabilidades implícitas de todos os resultados de um jogo e o total não dá 100%. Dá cerca de 105%. Esse excesso é a margem da casa, o overround, e é dele que ela vive.
Isto significa que o mercado não está a dizer que o Benfica tem 43.5% de hipóteses quando a odd é 2.30. Está a dizer algo mais próximo de 39.6%, mais a margem. Mostramos os dois valores em cada análise, porque comparar o modelo com o número inflacionado faria qualquer vantagem parecer maior do que é.
O modelo estima a sua própria probabilidade
Partimos dos golos esperados (xG) de cada equipa — quantos golos as oportunidades que criam deveriam produzir — ajustados pela força do adversário, pela vantagem de jogar em casa e por um rating de força relativa.
Com esses dois números, um modelo de Poisson calcula a probabilidade de cada resultado possível. Somando os resultados em que a equipa da casa marca mais golos, obtém-se a probabilidade de vitória; somando aqueles em que o total ultrapassa 2.5, a probabilidade de "mais de 2.5 golos".
A previsão e a diferença de mercado são coisas diferentes
A mesma distribuição responde a duas perguntas que se confundem facilmente. A previsão diz o que o modelo espera que aconteça. A vantagem diz onde o preço parece errado. Não são a mesma coisa e podem apontar em sentidos opostos.
Um exemplo real: se o modelo dá 45% a «Menos de 2.5 golos» e a odd é 2.60, há diferença — porque 2.60 implica 38%. E ao mesmo tempo o modelo continua a esperar mais de 2.5 golos, porque 45% é menos de metade. Uma vantagem em «menos de 2.5» não é uma previsão de poucos golos.
Por isso a secção Previsões não mostra odds nenhumas. Assim que entra um preço, a pergunta volta a ser a da vantagem.
O que a página de previsões mostra
- Distribuição de resultados — os placares mais prováveis. Note-se o rótulo: 0-2 ter 11% não significa que o modelo «preveja» 0-2; significa que é o placar individual mais provável num universo onde nenhum domina.
- Leitura do jogo — quem é favorito, e quanto o modelo se afasta do mercado. Só chamamos favorito com 5 pontos percentuais de diferença: abaixo disso a diferença está dentro do erro típico do próprio modelo, e apresentá-la como favoritismo seria precisão inventada.
- Dupla hipótese — nos jogos equilibrados. Com o 1X2 repartido em 37/24/39, nenhum lado sustenta decisão; mas «empate ou fora» vale 63%. É a mesma distribuição a responder a uma pergunta mais fácil.
- Pontos de atenção — o que enfraquece a leitura. Dados de época anterior, ausência de preços para comparar, ou um jogo sem resultado dominante.
Confiança na leitura
Cada previsão traz um valor de 0 a 100 que não é a probabilidade de acertar. Mede se a leitura é clara: quão concentrada está a distribuição, quanta distância há entre o favorito e o segundo, e se o xG vem de remates desta época ou de uma estimativa de recurso.
Um jogo com leitura forte continua a ser futebol. Nenhum placar é provável isoladamente — o mais provável raramente passa dos 12% — e é por isso que recomendamos mercados e não resultados. A leitura mais clara do dia continua a poder falhar.
O acerto de cada mercado está publicado, jogo a jogo, incluindo os que falharam.
A diferença de mercado é o que separa os dois
Se o modelo estima 49.8% e a odd de 2.30 implica 43.5%, os +6.3 pontos percentuais entre as duas são a diferença de mercado — o que a literatura chama edge, e a que já chamámos "vantagem" neste site. A odd que corresponderia à nossa estimativa — a "odd justa" — seria 1 ÷ 0.498 = 2.01.
Mudámos o nome porque "vantagem" é algo que se tem, e isso não é o que o número diz: ele mede uma discordância entre a nossa estimativa e o preço, e o errado pode ser o nosso lado.
Medimo-la contra a probabilidade implícita bruta e não contra a normalizada, porque é a odd bruta que consegue efetivamente apostar. A margem faz parte do custo real.
LIMITES DO MODELO: O QUE ISTO NÃO RESOLVE
O modelo não bate o mercado de forma consistente — já o medimos. Nas previsões registadas antes dos jogos, seguir o modelo contra as odds não deu lucro depois da margem. Serve para ler um jogo com estrutura e para ver onde o preço se afasta da estimativa, não como sinal para apostar.
A margem é o adversário real. O modelo não tem de estar certo — tem de estar mais certo que o mercado por uma margem superior a cerca de 5%. Isso é muito mais difícil, e é por isso que a maioria das ferramentas de "value betting" não produz lucro.
Uma diferença estimada pode ser um erro do modelo. Quando discordamos muito do mercado, o mais provável é que estejamos errados. Os preços incorporam informação que nenhum modelo público tem — lesões de última hora, rotações, contexto de balneário.
Ter razão não impede longas séries de perdas. Com uma diferença real de 3%, sequências de dezenas de apostas perdidas são normais. Só se distingue competência de sorte ao fim de várias centenas de apostas.